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Nascimento do Menino Jesus

E o Verbo se fez carne , e habitou entre nós ; e vimos a sua glória , a glória que o Filho único recebe do Pai, cheio de graça e de verdade . (Jo 1, 14)

Cabe-nos hoje fazer uma meditação sobre o Natal que se aproxima. Nós estamos dentro do período do Advento e vamos meditar sobre o mistério do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo e prepararmo-nos assim para a comemoração da vinda Dele.

Oração Inicial

Ó Maria Santíssima, Vós que - Mãe de Deus e Mãe dos homens - tivestes a graça de ser eleita pelo Espírito Santo para JESUS............jpgser Sua Esposa, eleita por Deus-Pai para ser a mãe do seu Filho Unigênito. Vós que sois a verdadeira Mãe do Verbo Encarnado, estamos diante de Vós para realizar esta meditação reparadora ao Vosso Sapiencial e Imaculado Coração neste primeiro sábado do mês de dezembro. Mês em que se comemora justamente, o maior de todos os nascimentos. Acontecimento tal que dividiu a história em duas partes: antes e depois de Cristo. Estamos aqui diante de Vós para pedir graças superabundantes, graças eficazes, graças místicas, graças que nos dêem a possibilidade de participar da mesma atmosfera, tão extraordinária, que circundou este nascimento. Pedimos luzes para interpretar todos os sinais que foram dados por ocasião deste acontecimento. Que saibamos ver nele o espírito de pobreza; a humildade, a virgindade, as verdadeiras bênçãos de um matrimônio inteiramente de acordo com a Lei de Deus, portanto, vermos tudo o que ele significou e que assim possamos de forma mais profunda, reparar todos os pecados que são cometidos contra o vosso Sapiencial e Imaculado Coração. Assim seja!

I - Situação histórica: os caminhos da Providência.

Vamos nos lembrar do por quê da descrição feita por São Lucas.* O Evangelista era médico, e assim sendo, ele ressalta alguns detalhes que os outros Evangelistas não narram. Ele sabia perfeitamente como se dava o parto de uma criança, como se dava a geração no claustro materno; como eram portanto as circunstâncias que cercavam um ato tão extraordinário que é o nascimento. Nascimento de si extraordinário, e mais ainda, no que toca ao Menino Jesus, que é nada mais nada menos que o Verbo de Deus feito Carne.

Para entendermos bem o por quê da circunstância do Menino Jesus nascer em Belém, voltando-nos para as Sagradas Escrituras, vemos que o profeta Miquéias muitos anos antes, tinha dito que o Messias nasceria em Belém, cidade de Davi. Outras profecias também foram feitas revelendo que o Messias seria descendente de Davi.

As circunstâncias político-históricas levaram José e Maria a Belém; coincidindo com as circunstâncias proféticas.

Os judeus na antiguidade guardavam muito estritamente as ligações familiares. Cada uma das doze tribos hebraicas dividia-se e subdividia-se em famílias, e que guardavam uma relação muito marcante com o lugar do nascimento dos seus membros.

Havendo também uma ligação social muito grande com o lugar onde nascia cada família. E assim, o povo de Deus, se dividia em verdadeiras colméias humanas, tendo como cabeça o chefe de cada tribo; eles se dividiam em famílias, famílias, famílias... todas elas muito entrelaçadas entre si e ligadas ao local de origem. E nós temos então José, que é descendente de Davi, e este como sua cidade de origem, Belém.

Quirino, governador da Síria, do Império Romano, resolve saber perfeitamente quem era quem dentro do povo judeu, e decreta o recenseamento do povo. Esse recenseamento era para tê-los todos bem conhecidos, muitos bem fichados segundo o sistema e método daquele tempo, onde não havia computadores, nem departamento de polícia federal para controlar todos as pessoas, e era então preciso que cada um se apresentasse à sua cidade de origem.

Temos então que essa contingência história, política e social, impõe que José deixe Nazaré e vá fazer uma viagem a Belém. De Nazaré a Belém nós temos 150 km. Ele poderia ter deixado Maria em Nazaré, mas acontece que Ela já estava no nono mês, e deixá-La só, era complicado. Não sabemos se Maria também tinha a obrigação de se apresentar em Belém por causa do recenseamento; esse é um dado histórico que nos escapa. Mas o certo é que José não quis deixá-La só, certamente com vistas às revelações proféticas, claríssimas, do Antigo Testamento, que talvez tenha sido feita a Ela, que o Menino nasceria em Belém, e que ocuparia o trono de Seu pai Davi.

Ela evidentemente movida por essas razões e mais ainda, pelo próprio sopro do Espírito Santo, resolveu ir junto. A viagem deve ter sido muito incômoda, pois nas circunstâncias em que Ela se encontrava fazer uma viagem de três a quatro dias, não era fácil. Ainda mais tendo que acompanhar uma caravana.... Hoje em dia 150 km nós fazemos em uma hora e meia, duas horas quando muito, mas naquele tempo era uma viagem longa, caminhos terríveis.

Os romanos, à medida que iam dominando este ou aquele povo, esta ou aquela região, eles iam pondo em prática todo o senso de organização que tinham e iam abrindo as estradas. Ainda hoje em certos lugares da Europa como por exemplo em Salamanca - eu vi isto com os meus próprios olho s - os romanos faziam pontes que ainda hoje são superiores às modernas: Há em Salamanca duas pontes, uma feita recentemente e a outra feita pelos romanos há mais de dois mil anos. Pois está dito que os caminhões devem passar pela ponte feita pelos romanos porque a ponte feita pelos homens atualmente, não agüenta o peso dos caminhões. São pontes sólidas, magníficas, também os caminhos,
muito bem preparados. Mas os romanos não tinham tido tempo ainda de tomar conta dos caminhos de Jerusalém, dos caminhos de Belém, dos caminhos que ligavam Nazaré a Belém.

Belém ficava a caminho do Egito, e assim mesmo era uma estrada ruim. E temos Nossa Senhora com São José indo por esses caminhos regurgitando de gente, e estes estavam muito tomados porque todo o mundo queria cumprir com a lei de recenseamento.

II - Santa Maria, Mãe de Deus e sempre Virgem Imaculada!

E estando ali. aconteceu completaram-se os dias em que devia dar à luz. E deu à luz o seu filho primogênito, e o enfaixou, e reclinou numa manjedoura; porque não havia lugar para eles na estalagem (Lc. 2, 1-7)

São Lucas que é muito delicado nos diz - está no texto do Evangelho de hoje que faz parte de nossa meditação - que Maria deu à luz e envolveu o Menino em panos e O colocou no Presépio.

Ora nós sabemos perfeitamente que um parto necessita sempre do auxílio de outros. São Lucas, para deixar patente que é um parto miraculoso não diz em nenhum momento que sequer São José estivesse presente, e não estava presente. Nossa Senhora dá à luz a sós porque São José se retira, Ela fica a sós, e esse fato se faz miraculosamente. Como? Jesus, a partir do momento em que houve a Anunciação do Anjo São Gabriel, teve sua Alma criada por Deus. O Espírito Santo foi quem uniu essa Alma ao corpo no momento da concepção. A Alma de Nosso Senhor foi criada na Visão Beatífica.

Ela contemplava a divindade face a face. Nosso Senhor teve sua Alma desde o momento de sua criação, na Visão Beatífica.

Ora, nós sabemos pela teologia tão bem explicada, especialmente por Santo Tomás de Aquino, que uma alma na visão beatífica deve ter o seu corpo no estado de glória. É uma lei. Quem entende compreende perfeitamente isso, porque se a alma tem a Deus como visão, o corpo deve ser espiritualizado.

E o que vai acontecer no dia do Juízo, com todos aqueles que estiverem à direita de Deus quando retomarem seus corpos, estes estarão gloriosos e, sendo corpos gloriosos, se deslocarão com a velocidade de um pensamento, não sofrerão mais, vestir-se-ão como quiserem. Não será preciso nem costureira, nem alfaiate, o próprio pensamento revestirá o corpo; cada um terá segundo a sua imaginação, sua veste instantânea, bastará somente imaginar a roupa com a qual quer aparecer... E assim foi Nosso Senhor quando nasceu: Corpo Glorioso. E Ele entretanto, teve durante toda a sua vida o corpo padecente como o nosso, porque Ele queria sofrer como nós.

Nosso Senhor para manter a virgindade de Nossa Senhora antes, durante e depois do parto, assumiu o que lhe competia, ou seja, o corpo glorioso. Portanto, sem tocar em Nossa Senhora, Ele deixou o claustro materno, aparecendo diretamente nos braços Dela.

Imaginem a alegria que deve ter tido Nossa Senhora a sós esperando o momento em que o Menino devia nascer, sentir em seus próprios braços seu Filho; e Filho, inteiramente Filho. Devemos nos lembrar que quem é mãe é mãe da pessoa, e não mãe do corpo. Ninguém diz "a quem pertence esse corpo?" Ela é mãe do corpo? Não. Mãe da pessoa pois se diz "mãe de fulano de tal", "mãe de fulana de tal".

Ora, Ela tem nas mãos um Filho que é Deus. Ela é Mãe de Deus. Que alegria! A alegria que que enchia o Coração dela era ver diante de Si o Menino Jesus. Envolve-O e O põe no Presépio.

1 - A Pobreza extrema na gruta e o luxo, gozo de vida nos palácios!

E nós temos diante de nós esta cena magnífica. Pobreza a mais não poder. O Menino Jesus com um trono que é uma manjedoura, umas roupas que são uns panos simples; os cortesãos que são Maria e José, que não têm teto, um boi e um burro; o incenso certamente é uma névoa fria que entra e penetra na gruta. Palácio: uma gruta; teto, teias de aranhas. Há nove quilômetros dali estava um palácio onde havia ouro, onde havia superabundância, onde havia luxo, havia gozo de vida.

Na gruta temos alguém que é Mãe e é Virgem, e nisso temos uma lição que Deus nos dá: o quanto Ele ama a virgindade e o quanto Ele ama o matrimônio perfeito, o matrimônio bem levado. Nós vemos uma Virgem, um pai que é pobre mas é inteiramente cumpridor da palavra de Deus e da vontade de Deus, e nós temos um Bebê que é a própria inocência.

Então nós temos a virgindade, o matrimônio, a inocência. Há nove quilômetros dali nós temos a podridão moral, nós temos o incesto, nós temos...oh!... os horrores morais, nós temos o horror à virgindade, nós temos o horror à virtude, nós temos o que há de pior, e tudo isto encaixado dentro do Império Romano, Império que São Paulo recriminará em sua "Epístola aos Romanos" logo no capítulo primeiro.

2 - Quem estará junt o ao presépio?

Nasce o Menino, e ali estão aqueles que foram chamados. Alguns ouviram e correram ao presépio.

Estamos no século XXI, no ano 2009. E daqui a pouco vai nascer misticamente, liturgicamente, o Menino Jesus. Quais os que estarão junto ao Presépio, quais os que compreenderão a mensagem sobre a virgindade, sobre a castidade, quais os que compreenderão a mensagem sobre o casamento; quais os que compreenderão a mensagem sobre o desprendimento das riquezas deste mundo e terão os olhos postos no Céu; quais os que compreenderão as palavras do Papa, quando recebeu as credenciais da Embaixadora da África, dizia ele: quarenta milhões, segundo recenseamento recente, são atingidos por essa terrível doença chamada AIDS, e ele acrescentava que o melhor remédio para essa doença é a castidade, é o matrimônio bem concebido, é a vida familiar.

Entretanto, quais são os que entendem a mensagem trazida por Nosso Senhor; quais são os que vão lucrar esse nascimento místico de Nosso Senhor? Somente aqueles que de fato têm o coração aberto para ouvir a Palavra desse Inocente que estará no Presépio. Este Inocente vai nos dizer: "Sejam inocentes como Eu, Eu quero lhes dar essa inocência, Eu lhes quero proteger, fazer com que cheguem à máxima perfeição dentro das vias da santidade. Aceitem esta mensagem de inocência que Eu lhes venho trazendo".

Ali está Maria dizendo: Se constituírem matrimônio, que seja um matrimônio como o meu. Se mantiverem a virgindade, sejam virgens como eu. E aqui está São José dizendo: não se apeguem às riquezas. Não quer isso dizer que não se deva possuir nada, mas, possuindo, não se apeguem.

Oraçã o final

Ó Virgem Santíssima, dai-nos a graça para que nosso coração, mais do que a gruta em Belém, mais do que a própria cidade de Belém, esteja preparado para receber o vosso Divino Filho. Que Ele nasça não só na gruta, mas também no fundo de nossos corações. Que Vós, ó Mãe, com São José, esteja presente em nossos corações, para que assim, possamos ter no mais intimo de nosso ser, a Vossa presença, a de São José, e sobretudo, o nascimento do Menino
Jesus.

Que a Inocência seja dentro de nossos corações uma tocha como eram as tochas na gruta em Belém para iluminar a Inocência-substancial. Que nossos corações amem a virgindade, compreedam o verdadeiro sentido de matrimônio, que os nossos corações sejam verdadeiramente desprendos das riquezas e dos bens materiais. Nós Vos pedimos, ó Mãe, que aceiteis esta meditação em desagravo ao Vosso Sapiencial e Imaculado Coração, neste primeiro sábado de dezembro. Assim seja!

- Leitura Bíblica:

"E, naqueles dias, saiu um edito de César augusto, para que se fizesse o recenseamento de todo o mundo. Este primeiro recenseamento foi feito por Cirino, governador da Síria. E iam todos recensear-se, cada um à sua cidade. E José foi também da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi, que se chamava Belém, porque era da casa da família de Davi, para se recensear juntamente com Maria, sua esposa, que estava grávida.E estando ali, aconteceu completarem-se os dias em que devia dar à luz. E deu à luz o seu filho primogênito, e o enfaixou, e reclinou numa manjedoura; porque não havia lugar para eles na estalagem". (Lc. 2, 1 - 7).

I - "Hoje vos nasceu um Salvador"

Em meio à penumbra, causa uma certa pena considerar a pobreza na qual repousa um belíssimo Menino.

Seu berço não é senão uma simples e rústica manjedoura, desgastada pelo longo uso de incontáveis animais. Meras palhas fazem as vezes de seu colchão, um complemento da humilde faixa que O envolve.

É noite de inverno e ali estão também um boi e um burro para O aquecerem, pois o recinto, constituído de pedras brutas, mantém o frio e a umidade próprios a essa estação do ano. Se, ao visitarmos um palácio, deparássemos com semelhante cena, ela nos pareceria aberrante; entretanto, a realidade é ainda mais chocante, pois ela se passa numa
agreste, inóspita e isolada gruta.

Mas quem é esse Menino nascido, assim, em condições tão miseráveis?

Para bem sabê-lo, bastaria afasta-mo-nos dessa grauta e percorremos um pouco as colinas de Belém, onde encontraríamos alguns pastores exultantes de alegria, justamente à procura desse mesmo Menino. Entre múltiplas e emocionadas exclamações, eles nos diriam: "Apareceu-nos um Anjo todo refulgente de glória; ao se aproximar de nós, essa refulgência também nos cercou. Tivemos um grande medo, mas ele nos tranqüilizou afirmando-nos que nos visitava para transmitir-nos uma notícia inédita. Na noite de hoje nasceu aqui próximo, na cidade de Davi, um Salvador. Ele é o Cristo Senhor. O Anjo nos disse que o sinal para reconhecermos bem o Menino será encontrá-Lo envolto em faixas e posto numa manjedoura. E logo depois esse Anjo subiu e se juntou a muitos e muitos outros, cantando num magnífico coro: ‘Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens, objeto da boa vontade de Deus'. E por isso estamos indo a caminho de Belém para ver o que aconteceu"

E assim poderíamos retornar à Gruta para adorar o Senhor, o Rei, o Cristo Jesus. Ali reveríamos Maria e José, JESUS_1.JPGsilenciosos e penetrados de indizível piedade, devoção, enlevo e ternura. Em imaginação, ajoelhemo-nos também e deixemo-nos penetrar por essa atmosfera de graças e bênçãos oriundas do Divino Infante.

Contemplemos sua fisionomia toda feita de paz, serenidade e brilho. Seu sorriso é cativante e seu olhar cheio de sabedoria. Ele é absolutamente incomum. Sua pele é incomparavelmente superior ao marfim, e mais suave que o arminho. Sua constituição física é perfeita, as mãos, os bracinhos,as pernas, os pezinhos configuram a mais bela obra de arte jamais vista. Tudo n'Ele é tão bem distribuído que nem sequer a inteligência angélica seria capaz de imaginá-Lo. Ele move seus membros com tanta elegância, distinção e nobreza que, por vezes, esquecemos tratar-se de um bebê. Chama-nos a atenção sua enorme semelhança com a Mãe.

A essa altura de nossa contemplação admirativa, todos os aspectos de pobreza e miséria se evanesceram de nosso horizonte. Vemos agora o esperado dos Patriarcas, dos Profetas e dos Reis, Quem, muito antes de nascer, já havia sido anunciado como Emanuel, "Deus conosco" (Is 7, 14), "Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz" (Is 9, 5). N'Ele se concentra um altíssimo mistério de sabedoria e misericórdia, conjugado com a mais alta e inesperada glorificação da natureza humana.

E nós nos recordamos das palavras de Isaías: "Eis que uma Virgem conceberá semelhança e dará à lu z um filho ..." (Is 7,14).

Séculos mais tarde, sobre esse nascimento, comentaria São Bernardo:

" Convinha a um Deus nascer de uma Virgem, e uma Virgem só podia conceber um Deus "

 

 

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