Pouco mais de um ano se passara desde o bendito 13 de outubro, quando os pastorinhos viram pela última vez a Celeste Mensageira. Pouco mais de um ano em que Jacinta e Francisco viveram atentos à promessa de que iriam em breve para o Céu. De fato, ela não demorou a se cumprir.
Em dezembro de 1918 espalhou-se pelo mundo uma epidemia devastadora de bronco-pneumonia, conhecida como "gripe espanhola". A doença ceifou a vida de grandes e pequenos, pobres e ricos, não poupando também as famílias dos três videntes de Fátima.
O pai de Lúcia morreu menos de 24 horas depois de ser atacado pela terrível gripe. E no lar dos irmãos Marto, todos, com exceção do chefe da família, adoeceram também. Jacinta e Francisco, os mais novos, não se curariam mais.
Ao contrário do que se poderia imaginar, em se tratando de crianças, a doença não os desanimou nem diminuiu seu grande desejo de se sacrificarem pelos pecadores e de reparar os Sagrados Corações de Jesus e Maria. Antes, os fez crescer desmedidamente naquele intenso amor a Deus que os consumia, naquela apaixonada disposição para salvar almas. Numa palavra, atingiram rapidamente a santidade, tornando-se, também durante a doença, exemplo de resignação, de caridade e de coragem cristãs.
Compreende-se, então, o comentário de dois sacerdotes que os foram visitar: "A mim", dizia um deles, "impressionou-me a inocência e sinceridade de Jacinta e do irmãozinho. Não sei o que senti junto dos dois pequenos!" Enquanto o outro acrescentava: "Parece que se sente ali algo de sobrenatural. Fez-me bem à alma falar com eles."
(Livro Jacinta e Francisco Prediletos de Maria - Monsenhor João Clá)
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